Brasil – Desemprego e inflação formam uma combinação corrosiva para a renda dos trabalhadores formais

Aline Dias com informações / Foto: Divulgação

Há 12 meses as negociações salariais entre empresas ou sindicatos patronais com sindicatos de trabalhadores não registram aumento mediano real. Em agosto, o reajuste mediano ficou 1,4 ponto porcentual abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizado como baliza para as negociações salariais.

De acordo com o Salariômetro, boletim mensal da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo que avalia convenções e acordos coletivos registrados no Ministério da Economia, apenas 9,5% das negociações em agosto foram concluídas com ganhos reais para os trabalhadores. A grande maioria dos empregados do País teve perda real de rendimento.

Desde setembro do ano passado, o reajuste mediano negociado nas convenções (entre sindicatos de empregadores e de empregados) e acordos (entre empresa e sindicato de trabalhadores) coletivos tem sido igual ou menor do que a inflação. A diferença de 1,4 ponto entre inflação e reajuste registrada em agosto é a maior do período.

De 11 atividades em que houve negociações coletivas em agosto, os empregados de apenas uma – comércio atacadista e varejista – conseguiram pelo menos repor a inflação passada. Os trabalhadores do setor de refeições coletivas tiveram a maior perda real.

As famílias precisam recompor sua renda, mas o aumento do custo da folha de pagamento em período de vendas e produção incertas pode afetar as finanças das empresas empregadoras. É o quadro atual.

A persistência da inflação alta, que analistas privados projetam em mais de 8% neste ano, do desemprego elevado e de um ritmo declinante de expansão da economia devem manter o cenário desfavorável para os salários reais.

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